quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

O dia que um aluno me tirou do sério. Obrigada!




Dia chuvoso, daqueles que tanto alunos como professores gostariam de estar em qualquer lugar menos dentro dos muros da escola, quanto mais dentro da sala de aula.
Uma coisa tenho que admitir, a recepção de um professor substituto é quase sempre calorosa. No fundo aquelas criaturinhas têm sempre a esperança de que substituto é sinônimo de algazarra.
         Era minha segunda substituição naquela turma, um quarto ano do ensino fundamental, hoje com a nomenclatura de 1º ano do Ciclo II.
          Essa também era a turma na qual existia um ser que eu não havia alcançado e pior, era a sala do aluno que me fez ter uma reação negativa, negativa ao ponto de ir para cima dele, já com as mão para trás a fim de não dar-lhe uns safanões... Em anos como professora, era a primeira vez que aquilo acontecera. Me senti um lixo.
          Mas, estava eu lá novamente, a mesma sala com os mesmos alunos, inclusive ele.
         O trabalho de um professor substituto pode ser classificado em duas formas: quando o professor titular deixa tudo explicado, inclusive quando respirar, e quando o professor titular não deixa nenhuma instrução, nada, nem mesmo uma folha branca. No primeiro caso, tento adequar minha forma de lecionar, nada tradicional, aos conteúdos que me são deixados para passar à turma, já no segundo caso, fico entusiasmada e me divirto muito, afinal posso trabalhar por mim mesmo.
          Voltando ao dia chuvoso, primeira aula de ciências e segundo as especificações da professora titular eu deveria escrever na lousa dez questões para que os alunos respondessem de acordo com o livro didático. E assim o fiz, nada como iniciar a aula com um pé no tradicionalismo, por mais que aqueles minutos de total silêncio gritassem dentro do meu ser  "Que absurdo é esse??", deixei para ver até onde ia...Por fim comecei uma correção ao meu estilo "Fulano, leia a resposta da questão 1", para fazê-los entender que o que eu queria era nada mais nada menos do que eles haviam entendido e não uma cópia idêntica do que havia no livro. Mas e o tal, aquele que me tirou do meu centro, da minha zona de conforto, do meu pedestal de "a professora substituta mais legal", ele simplesmente me ignorou, não fez nada, e se recusou a fazer o dizendo em bom tom, me desafiando, medindo forças. Tive ímpetos de chacoalhar-lhe pegando-o pelos braços... mas me limitei a dizer em bom tom também, que iríamos conversar fora da sala. E assim o fiz, fomos os dois, ele de cabeça erguida, mas com um certo medo, por  certo pensou que mais uma vez, mais uma professora iria lhe dar um sermão, ou na melhor das hipóteses que ira passear na diretoria, eu com cara de derrotada, também com um certo medo, por não ter ideia do que fazer com aquela criatura. Uma coisa era certa, eu teria que surpreendê-lo... Pedi para que ele me encarasse, sabia que só surtiria algum efeito se ele conseguisse manter contato visual comigo. Fiquei ali diante dele quase que pedindo uma iluminação divina, foram longos cinco minutos até que senti que ele sorriu com os olhos, e eu retribui e disse:
         - Não sei o que você está passando em casa. Não sei o que você está passando aqui. Não sei se voltarei aqui. Só sei que não vou te punir sem saber o que acontece com você. Só sei que não vou desistir de você. Se precisar de ajuda, pode me chamar, eu vou te ajudar, se eu estiver nesta escola, me procure, estarei aqui por você. Agora me abraça, acho que estamos precisando de um abraço.
         E ele me abraçou e se permitiu ser abraçado, se permitiu ser desarmado. Entramos na sala com um certo ar de cumplicidade, a mim cabia não contar para sala o que acontecera, a ele, tentar entender o porquê do ocorrido. Espero que ele tenha compreendido. O fato é que pude perceber uma mudança grande naquele garoto. Não só fez toda a lição de matemática, como também se destacou nas atividades. Perdi a conta de quantas vezes ele foi até a minha mesa para pedir ajuda e mostrar se estava no caminho certo com sua atividade.
         A minha maior recompensa foi ver o sorriso dele e ter certeza que se algo estiver errado que ele irá me procurar. E eu estarei lá por ele.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020


Tem um café aqui em São José dos Campos... É para onde eu corro quando estou querendo ajustar meus parafusos. Sempre tem um bolo de côco gelado (meu help) e um capuccino quentinho cremoso (esquenta alma).
Uma das coisas que amo nessa cidade, o hábito de realmente parar para um café. Para mim, parar para escrever:

                                 
    Bora lá colocar os parafusos no lugar? . É hoje tem que ser assim, não adianta apenas apertar o parafuso frouxo, as vezes é necessário colocar parafusos novos, talvez até colocar uma bucha para dar aquele encaixe perfeito. 
   Passei o dia remoendo e me perguntando o porquê do incômodo que estava sentindo,  o que estaria me deixando com aquele ar mais pesado, com um sorriso dolorido, o porquê daquele parafuso estar solto... Até que alguém muito importante me perguntou hoje a pergunta mais corriqueira que alguém poderia me fazer: "Tudo bem?" , embora a resposta em primeira instância também soasse corriqueira, o semblante apontou outra verdade. Naquele momento descobri que tinha que falar,  por para fora aquela ervilha que não me permitiria ter um sono de princesa junto ao meu travesseiro. Digo ervilha porque o fato em si não era tão importante, o que incomodava mesmo era aquela sensação , o sentir aquilo. Não passava de uma lembrança ruim, de um momento difícil e a descoberta de que eu possuía um objeto físico desencadeador  daquele sentir penoso. Sabia definitivamente que os parafusos deveriam ser trocados.

     Lembrei que aquele objeto não era o único, havia também a cebola, sim, cebolas aliás, toda vez que me pego descascando uma cebola me ponho a chorar, mas não aquele chorar típico de quem as picam ou descascam, outrossim um chorar sentido, repleto de lembranças. Já faz muito tempo que tento me livrar desse sentimento, até já pensei em nunca mais pegar numa cebola, tarefa impossível a alguém que aprecia cozinhar a moda antiga... 
     Hoje descobri como me livrar dessa situação. A resposta veio com o outro objeto desencadeador de emoções. Falar sobre o assunto me fez bem, melhor do que falar era me ouvir falando. Uma fala firme, com sentimento que me fez sentir orgulho. Não sei como será quando me deparar novamente com esse objeto, se sentirei o mesmo amargor, mas sei que o assunto está resolvido.  
     Você poderá me perguntar: Mas Kim, qual o objeto? ou O que aconteceu?  A estória na íntegra pertence ao envolvido na situação e a mim. Ahhh e é claro, também pertencerá ao meu analista, aliás ele faz o papel da bucha na minha estória,  rsrsrs .Essa é a incrível arte de falar sobre um assunto sem contar nada sobre ele. 
     E você possui um objeto desencadeador? Remete a algo triste? Como você lida com a situação?

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Ahhh as máscaras...



Ahhh as máscaras...
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Tão necessárias e tão assustadoras. 
Alguns as usam para se divertir e então viver um faz de conta, mesmo que por muitas vezes sem levar em consideração a verdade na qual o outro vive, aliás sendo esse o eleito para brincar. Outros as usam para se esconder e assim se sentem protegidos dos julgamentos dos seus próximos, existem aqueles que se aproveitam delas para deixar vir à tona seu verdadeiro eu e assim colocar para fora tudo aquilo que não é aceitável socialmente dando evasão aos seus estados pervertidos. 
Existe aquele conjunto de máscaras que carregamos conosco todos os dias e que apesar de não nos esconder a face nos conduzem de acordo com determinada situação, ora no trabalho ora com um amigo/estranho e assim vai, até que  no final da noite, deitados com a cabeça no travesseiro, nos encontramos, cada um consigo mesmo e chega a hora de se despir de toda e qualquer máscara. 
O importante é entender quais máscaras e quais os motivos nos levam a usá-las e trocá-las por outra. Logo, meus caros, todos usamos máscaras sejam físicas, virtuais ou emocionais/psíquicas. E nos cabe, em quanto grupo, refletir sobre esse movimento e ajudar aos que necessitam, apoiar os desorientados e aconselhar os mal intencionados. Bjs